Carregando bóis

Vai para um lado para a moça passar. Bolsa nas costas, AI. Tudo bem, vai,  to acostumada. Ih pisei na pessoa do lado. Será que esse motorista acha que tá levando bói? Opa, eu quis dizer boi. Nossa, como fica esquisito quando eu tento emitir pequenas frases simpáticas para desconhecidos. A moça tá falando pra amiga que quer provar no tribunal que o ex-marido dela é sociopata. Vai levar uma psicóloga pra analisar as mentiras dele.“Tudo que eu quero é que ele passe o ano novo na prisão. Ia ser o melhor presente de natal”. Sacanagem, contar só um pedaço de uma história interessante dessas.  O que esse cara sentado no assento prioritário tá fazendo todo se remexendo? Tá incomodado que minha bolsa tá muito perto dele? Que folgado. Xiii… Caiu um fio de cabelo meu no ombro dele. Fudeu. E se a namorada dele ou namorado pensar besteira?  Imagina, estragar um relacionamento por causa de um ônibus lotado. Será que eu peço licença e tiro o fio dali? E se acontecer pior? Se ele sei lá resolver me clonar? Afinal ele tá meio que com meu DNA no ombro. Eita que esse motorista deve ter vários rolês marcados pra hoje à noite. É sexta, por isso tá correndo tanto. Ué o cara incomodado sentado no prioritário com meu fio de cabelo no ombro foi embora. Será que o fio foi com ele? Nem vi. E a moça do ex-marido sociopata? Não deve ser com ele que ela tá planejando deixar os filhos nas férias né? Fiquei confusa.  Ah, voltou pro assunto do tribunal, vai tentar chegar para uma outra mulher e dizer “ei, sua trouxa, olha o que eu consegui”. E tentar fazer ela ficar ao lado dela contra o sociopata. Nunca pensei que esse fosse um bom jeito de tentar unir forças em alguma batalha judicial “ei, sua trouxa”. Deve ser alguma gíria de pessoas que vão tentar provar que ex-marido é sociopata. Que barra. Desci.

A triste história da primeira bolacha

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A última bolacha do pacote percebeu que não era bem utilizada na expressão, porque era murcha e não tinha nem um terço do sabor da primeira bolacha do pacote.

Quem havia consolidado em ditado popular tamanha mentira?

E injustiça. Afinal, a melhor bolacha do pacote (a primeira) não era comida por todos, por ter fama de dar a quem dela se alimenta a maldição de roubar o namorado alheio.

Será que, na verdade, os termos “última bolacha do pacote” são uma adaptação de “os últimos serão os primeiros”? Algo que começou a ser falado com boas intenções e acabou com o sossego da primeira bolacha?

Difícil saber… Mais fácil voltar para a velha batalha entre biscoitos e bolachas.

Ê alimento para gostar de uma polêmica…

As crônicas X o misto quente

Entrou naquele bar pensando nas crônicas que escreveria

Uma senhora que pega um doce diet e um cigarrinho, “pra variar”

Uma moça que precisa de garfo para comer uma coxinha, “é muito grande”

A trabalhadora que quer um chá para a viagem num copinho que não queime a mão

E o atendente só sorrisos, que é amigo daquele que ignora as piadas dos clientes

O enroladinho causador de tantos dilemas “você sabe do que é feita a salsicha?”

Mas o misto quente lhe ocupou as mãos (e a boca) e deixou para a próxima

 

Só correndo

Tem gente que morre

Mas desviveu tantas horas

Que já não importa mais

Tem um prédio engraçado

Que eu preferia que fosse uma casa

Eu abdico das risadas

Uma luz artificial embranqueceu tudo mais

É o fim?! Ou o corredor da repartição pública…

De redundância em redundância, a Terra, que é mais ou menos redonda, brinca de roda.

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Tem dia que é mais complicado que o vulcão Eyjafjallajökull

Que parece que alguém sentou em cima do teclado da sua vida

Dia em que toda palavra vira Schwarzenegger

Que você procura no Google todas as vezes e continua sem ter certeza

Manhãs em que você se sente como Nietzsche

Que confunde mais pela posição das letras em seu nome do que por suas teorias