As coisas que usamos para ver

Você não quer saber o que há na janela verde?

Por que eu me pego que nem louca

A poucos passos da campainha

Mas toda vez que toco

Já não lembro mais o que me levou até ali

É que da porta não dá para ver a janela verde

Mas é só passar por ela de novo

Que fico me perguntando

Se você não quer descobrir o que tem lá

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A companhia mais antiga

Hoje me sinto como aquele poeta

Que virou nome de escola sem biblioteca

Uma palavra quase que me derruba

Mas tem uns papeizinhos engraçados no chão

Que insistem em rodopiar

Parece que caminham

E aquela poeirinha no ar

Vamos fingir que é pólen

Você sabe bem como funciona

Quando um devagarinho

Vai se transformando nele mesmo

Ditto

Fala comigo, porque eu sinto minha bochecha formigar

E não tenho vontade de enfiar as unhas nas palmas das mãos

Não imagino todo tipo de acidente que poderia acontecer

E até tenho vontade de entender a diferença entre magenta e rosa

Fala comigo, porque eu sou que nem aquele pokémon

Que se transforma em você para te derrotar

Quem nunca sonhou em ser o herói de si mesmo?

ABC

Sabe quando o sorvete congela o cérebro

Só que dentro do peito?

E por um tempo só existe aquela sensação

De que tudo que você acreditou era tolo

Aquele segundo antes de o balanço te atirar no chão

Quase como uma frase de alfabetização

Afinal, o vovô só viu mesmo a uva?

Ou a comeu?

Abobrinha

Tenho dois demônios de estimação

Um se chama Zucchini

Metido a gourmet

Tenho dois demônios de estimação

O outro é Augusto

Um sujeito absolutamente normal

Tenho dois demônios de estimação

Mas não se assuste

De todos os habitantes

Esses dois são os mais inofensivos